A Fernanda é que tinha razão: em Agosto, um calor de secar ananazes, entre um mergulho e o gesto de tirar água de um ouvido, sacode a toalha e eis que abre a boca e vem com a sua mais famosa frase - "Estamos aqui, estamos no Natal!"
Há 10 anos, a diferença de idade entre ela e nós, fazia com que a gargalhada fosse geral, "Ui não fazes isso por menos!", "Isso é conversa de velhos!", "Caramba, cada vez estás mais rabugenta..."
Agora devo ter a idade que ela tinha na altura, nessas férias na Zambujeira quando ela pronunciou pela primeira vez a frase que viríamos a repetir sempre que, na praia ou na esplanada, preguiçamos sob o sol - e a cada ano que passa chego ao final do Verão e passados "uns tempos" deparo-me com uma verdade incontornável – estamos em Dezembro e eu ando mais entretida a refilar que nunca mais chega o Verão do que a tentar ficar um bocadinho "anatalada"!
Subitamente, e ao contrário do que seria suposto, em vez de desatar a ouvir sininhos por todo o lado, transformo-me em Grinch, fico incapaz de entrar numa loja que tenha mais do que uma pessoa lá dentro e tudo se torna num gigante "Nightmare before Christmas”!
Três dias antes entro em pânico e tento arranjar um bocadinho de espírito natalício à pressa, usando as armas do costume: ver o Love Actually e o Diário de Bridget Jones, ouvir até à exaustão o Last Christmas, Fairytaile of NY e o Do they know it's Christmas.
Falta um dia para o Natal.
Ainda nem comprei os postais…
