Hoje foi dia não.
Tão não, tão não que pior não podia ser (o de amanhã também não promete, mas não gosto de sofrer por antecipação).
Quem pagou a conta foi um pobre brinco de princesa que acabou impiedosamente cortado (a minha única consolação é que só lhe vai fazer bem num futuro próximo).
A prenda de Natal que gostava de ter? Tempo para fazer o que gosto!
Tempo para me arrumar, para acabar o puzzle que está em cima da mesa e que vai sendo feito à razão de duas peças por noite, para ler sem ter que me preocupar que tenho que ir dormir porque daqui a pouco volta tudo ao mesmo, para arranjar um bocadinho de espírito natalício e escrever uns postais aos amigos, para olhar vaso a vaso o que está a brotar, o que é que pegou e onde é que anda um safado de um caracol que me anda a roer as folhas todas...
Enfim, tempo para lazer e só tenho tido o tempo dos outros e ainda por cima os outros são os que mais me pedem tempo e o tempo que me resta é muito pouco mim.
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